DOIDO
Para Bortolotto et Pinduca
Doido!
Que faz da rima tua comida
Ninguém te explica
Doido!
Que quando é dia, a noite inventa
Ninguém te orienta
Sindykalista da solidão
Tumor urbano sem solução
Enquanto driblas o adjetivo
Alguém na rua sempre grita:
Doido!
Kapta-dor da dor alheia
Do som d´abelha
Z-Z-Z-Z!
Doido!
Embriagado de estrelas
Do amor das sereias
Especialista da antropometria
Te chamam de parasita
Noctâmbulo, sonâmbulo, espectro!
Kavalgando em Netuno!
Descendo a rua sob a chuva fina, na cidade fria lá vai o doido...
Argonauta, louco e só,travando batalhas com suas palavras.
Masturbado gozando versos!
Vaskulha-dor do alfabeto!
Do incoativo verbo.
Discípulo da necrolatria
Amante da pirataria
Desde pequeno, muito pequeno
Alguém sempre dizia;
Doido!
Se acabar papel e tinta;
Os muros picha!
Doido!
Que quando a lei dobra a esquina
És o anarquista
Literatura obscena
Inventas em noites mais lentas
Sem escudeiro, na escuridão
Kavaleiro da triste figura
Kavalgando em Netuno!
Doido!
Doido!
Doido!
Até o fim.
Paulo de Tharso
Alexandre Bessa et Paulo de Tharso
Música da banda "A Kaza Kaiu" 1990.
Escrito por Paulo de Tharso às 20h28
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