O Anjo
Para minha tia Dayse Vaz de Almeida
E um anjo feroz, que viajava veloz na noite
proibida,
desafiando a lei dos invejosos mortais, fez um vôo rasante,
Chocando-se contra as pedras do cais.
No momento em que baixaram o caixão de Dayse para dentro da terra, o céu tornou-se cinza - chumbo e uma forte chuva de verão se fez anunciar através de mil raios. Acho que todos os amigos, os desconhecidos , os conhecidos estavam lá. Acho que nem ela sabia o quanto era querida e respeitada, a minha amiga Dayse. Sua irmã (minha mãe) pediu que eu escrevesse algo para ser lido durante o enterro e eu escrevi. Só não pude ler. Foi ela quem leu. Finalmente, começou a chover.
Primeiro, gotas pesadas e espaçadas. Frias por fora, mas quentes por dentro, misturando-se às lágrimas. Depois, aumentando de intensidade, a chuva tornou-se tempestade.
Foi assim, olhando para o céu, e me afogando em lágrimas e chuva, que vi minha amiga partir.
Foi ela quem me criou e me apoiou. Mesmo nos momentos mais difíceis e tristes de minha vida. Mesmo quando eu aparecia de porre ou drogado. Mesmo quando eu desaparecia por semanas. Ela sempre me recebia como se eu fosse seu filho. Atenciosa, amiga e parceira, se tenho alguma lembrança de família é dela que guardo o mais belo retrato. Morreu em meus braços, na madrugada de sexta-feira,29/10.
Eu Estava na companhia de bons amigos, quando fui chamado pelo celular. Eu corri. Ela ainda respirava. É claro, que quando cheguei depois de assistir " A Caminho de Casa", na companhia dos bons amigos, eu estava como sempre estive. Bêbado. Ela ainda disse:__ Paulo, que bom que você chegou! É tua vó! Está passando mal." Era minha vó quem realmente havia sofrido um derrame. Mas foi minha tia, que sempre cuidara de tudo e de todos, foi ela quem partiu. Em silêncio, como sempre fazia quando algo de ruím acontecia. Fazia silêncio e olhava com calma. Morreu em meus braços, vítima de um ataque fulminante do coração. É triste. É muito triste.
Essa, eu sei, me amou de verdade! Adeus tia Dayse. Obrigado é muito pouco. Mas é o que consigo dizer. Muito obrigado por tudo!
Teu filho.
Paulo de Tharso
Escrito por Paulo de Tharso às 00h31
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