Falência
A humanidade está falida
Domingo, dia 20/11, fui convidado pelo Mário Bortolotto a participar de seu filme Getsêmani, que ele já terminou e está editando.
Além do prazer da novidade, descobri algo que é um tesouro perdido. O silêncio.
Durante a filmagem, o momento que antecede a cena é de silêncio absoluto.
Apenas as vozes do assistente de direção e do diretor cortavam o ar, além do som ambiente, que, no caso, eram os cantos dos pássaros e um ou outro avião desavisado que cruzava o céu sobre nossas cabeças. Mesmo quando os atores interpretavam, havia silêncio absoluto no set de filmagem.
Descobri coisas incríveis. Aprendi bastante. Mas o silêncio...
Paulo de Tarso, o apóstolo, após sua conversão em Damasco, retirou-se para os desertos da Arábia, permanecendo três anos em solidão com Deus.
A ordem dos Trapistas__ ordem que de certa maneira tem muito a ver comigo, quem me conhece sabe como me visto__, tinha um membro chamado Tomas Merton (tornou-se célebre nos anos 60/70 pelos seus escritos sobre religiosidade), que viveu praticamente a vida toda em silêncio. Sobre a Trapa, perto de Paris, vê-se esta legenda: “O pesar de viver sem prazer bem vale o prazer de morrer sem pesar”.
O silêncio dinâmico é esse do cinema.
Silêncio é receita__Ruído é despesa.
E quem tem mais despesa do que receita abre falência.
A humanidade está falida.
Paulo de Tharso.
Escrito por Paulo de Tharso às 13h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A Ira de Deus
|
A ira de Deus
Glauber Rocha e João Ubaldo integravam a lista de autores do livro Panorama do Conto Baiano, que a Editora Progresso ia publicar. Estavam na companhia de Jorge Amado, Adonias Filho e outros nomes fudidos, o que era uma responsabilidade. Na sua exitação, Glauber visitava freqüentemente as oficinas dea Imprensa Oficial, onde o livro estava sendo feito, para revisar as provas. Um dia encontrou lá o sorridente Batatinha, tamborilando sua caixa de fósforos. Ele cantarolava:
__ Meu desespero ninguém vê/Sou diplomado em matéria de sofrer.
__ Que múzyka é essa, batatynha?
__ Filosofia.
__ Vou botar sua múzyka num fylme meu.
Voltou para a redação do Diário de Notícias com a música de batatinha na cabeça, mas lá concentrou toda sua atenção no cinema. Mais um estrangeiro estava na Bahia para realizar um filme sobre o Brasil. desta vez era Marcel Camus. Sentado diante da máquina, soltava o verbo enquanto escrevia:
__ Deus nos livre dos estrangeiros. Até hoje, noventa por cento do nosso cinema foi abaixo por causa de uns italianos que chegaram aqui e foram bajulados pelo snobismo capitalista de São Paulo.
Depois do desabafo contra a Vera Cruz, escreveu, catando milho, que só John Ford poderia realizar aquela aventura criando um filme épico, sem cair no cartão-postal. Um ano depois, ele terminava o filme
"A ira de Deus".
Assim creio que tenha sido para o Bortolotto, quando escreveu o blues que eu tanto gosto( e que minha memória teima em trair), que deve ter pensado na indústria Porn..., quero dizer, phonográfika.
Paulo de Tharso
|
|
|
Escrito por Paulo de Tharso às 18h40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A ira de Deus
Glauber Rocha e João Ubaldo integravam a lista de autores do livro Panorama do Conto Baiano, que a Editora Progresso ia publicar. Estavam na companhia de Jorge Amado, Adonias Filho e outros nomes fudidos, o que era uma responsabilidade. Na sua exitação, Glauber visitava freqüentemente as oficinas dea Imprensa Oficial, onde o livro estava sendo feito, para revisar as provas. Um dia encontrou lá o sorridente Batatinha, tamborilando sua caixa de fósforos. Ele cantarolava:
__ Meu desespero ninguém vê/Sou diplomado em matéria de sofrer.
__ Que múzyka é essa, batatynha?
__ Filosofia.
__ Vou botar sua múzyka num fylme meu.
Voltou para a redação do Diário de Notícias com a música de batatinha na cabeça, mas lá concentrou toda sua atenção no cinema. Mais um estrangeiro estava na Bahia para realizar um filme sobre o Brasil. desta vez era Marcel Camus. Sentado diante da máquina, soltava o verbo enquanto escrevia:
__ Deus nos livre dos estrangeiros. Até hoje, noventa por cento do nosso cinema foi abaixo por causa de uns italianos que chegaram aqui e foram bajulados pelo snobismo capitalista de São Paulo.
Depois do desabafo contra a Vera Cruz, escreveu, catando milho, que só John Ford poderia realizar aquela aventura criando um filme épico, sem cair no cartão-postal. Um ano depois, ele terminava o filme
"A ira de Deus".
Assim creio que tenha sido para o Bortolotto, quando escreveu o blues que eu tanto gosto( e que minha memória teima em trair), que deve ter pensado na indústria Porn..., quero dizer, phonográfika.
Paulo de Tharso
Escrito por Paulo de Tharso às 18h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Advento da Revolta
O Advento da Revolta
O homem quer na verdade se submeter à lei do dever, servir sua pátria, obsequiar seus amigos, mas ele quer trabalhar naquilo que lhe agrada, quando lhe agrada, tanto quanto lhe agrade; ele quer dispor de suas horas, obedecer somente à necessidade, escolher seus amigos, suas diversões, sua disciplina; prestar serviço por satisfação, não por ordem.
O PT deixou isto de lado e preferiu a tirania mística e anônima, destituindo a pessoa humana de suas prerrogativas.
Escrevo isso em respeito aos amigos que não votaram e que são apolíticos. É um direito que lhes assiste. Eu, ao contrário, sou um animal político e por isso tenho o direito, igual, de expressar minha tristeza e minha revolta.
Outro dia, assistindo à entrevista de Fernando Gabeira, ficou claro que o deputado José Dirceu, fez de tudo para afastar os intelectuais do poder. Ele fez isso com o Ministro Buarque (que deixou PT), e depois com o próprio Gabeira. Ele, José Dirceu, detinha a máquina mas não era dono das idéias. E não permitia que essas idéias chegassem ao presidente Lula. A casa civil foi contrária ao livre exercício de nossas faculdades, a nossos pendores mais elevados, a nossos sentimentos mais íntimos. Sou republicano? Talvez. Mas esta palavra não especifica nada. Res publica é a coisa publica. Se desejarmos a coisa pública, sob qualquer forma de governo que exista, pode-se dizer republicano.
__ Então você é democrata?_ Perguntou-me um desconhecido
__ Não!_Respondi seco.
__ Então é monarquista?
__ Não!
teza?
__ Nem de longe!
__Constitucional?
__ A senhora sua mãe vai bem?
__ Quer um governo misto?
__Tampouco.
__ Afinal, o que você é?
__ Anarquista.
__ Isso é desordem!
__ Que é a ordem menos o poder. A anarquia não é um fato solitário. O desespero também não.
Escrito por Paulo de Tharso às 20h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|