Pesos e Medidas.
Vou trokar c por k e alhos por bugalhos. Transformar onças em gramas, gramas em onças, quilos em libras, libras em quilos. Multiplikar tolenada britânika em quilos de sangue. No Iraque, tonelada amerikana em quilos de sangue. O volume que suporto de tanta desgraça é o de galões imperiais em litros. De kachaça e de cerveja. Kada polegada do meu korpo alquebrado transformo em centímetros kúbikos de sonhos desfeitos. Acres desertos de ar rarefeito, o sol por testemunha e minha boca torta pelo sofrimento. Vou querer me transportar pro outro lado do grande Pará. E na selva de Belém buskar um padre e lembrar de você meu bem! E depois me enkontrar, entokado em Juruá, navegar o Tokantins em fuga para Marabá. E depois me deskobrir, no meio do Codajás e de medo vacilar, mas não ter pra onde ir. E a peste que eu pegar, ou um tiro na eskuridão, me desperto e o Brasil Já me tem nas mãos.
Escrito por Paulo de Tharso às 12h21
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