CREPÚSCULO
Às vezes, no crepúsculo,
Penso ver os irmãos de Saturno.
Os deuses desterrados, vêm cobrar nossas vidas.
Estes deuses exigem de nós as dores e os cansaços.
Nos arrancam das mãos, como a um bêbado torpe, a taça da alegria.
Minha ruína eu venderia.
Venderia o universo, se estivesse à venda.
Venderia o espinho, se a rosa quisesse.
Venderia o tufão, pro mar sem coragem.
Pois os deuses compraram a minha felicidade.
Venderia o barulho, pro silêncio da morte.
Para pagar o resgate
Dos deuses que seqüestraram minha sorte.
Às vezes, no crepúsculo,
Penso ver os irmãos de Saturno.
Escrito por Paulo de Tharso às 11h57
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