JAZZ
Os homens se deram o bem e o mal. Não o tomaram de ninguém, não o encontraram em uma esquina bêbada qualquer, não lhes caiu como uma voz do céu. Entre nó$ não há mais povos ou rebanhos. Apenas Estado$. Estado: Palavra de morte dos povos.
Pode ser que eu esteja ficando louco. É possível. A bebida mata ou enlouquece. Eu bebo muito. Quem me conhece sabe. Estou aqui, ouvindo " In a Soulful Mood" de John Coltrane, e percebo que acostumei-me à alucinação simples: Vejo fácil meu gato comendo um pássaro, as almas dos mortos-vivos rondando meu jardim olvido como o campo crescido e florido, uma ala inteira de anjos caídos tocando jazz num salão na ponta de uma avenida.
A desordem do meu espírito é sagrada.
Então, se você cruzar por mim no centro da cidade e perceber em meus olhos a morte, mantenha a distância de um braço e de uma espada imaginária.
Para você, com certeza, será mais saudável.
Escrito por Paulo de Tharso às 10h48
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