Delírios
Para mim, são apenas histórias de loukuras.
Doçuras desgraçadas, junkadas ao longo da estrada.
Sempre me gabava, assim que voltei do velho kontinente,
de possuir todas as paisagens possíveis, que a retina podia kapturar.
Sempre considerei irrisórias as figuras da pintura e da literatura moderna.
Sonhava kom os sonhos das batalhas travadas por russos e Che Guevara!
Jamais gostei dos anos 80.
Não, não subi ao templo da Urka, no bondinho do pão de açukar,
para ver Kazuza...
Fikava trankado no Vidigal, kom Mautner e Rogério (o cinesta), cheirando e ouvindo
a vida e a morte ao som de Melodia, Noel, Moringueira, Beatles, Klementina, Miles Davis, Brell,
Billie Holiday, Muddy Waters, Alice Cooper, Lou Reed, B.B. King e etc e tal.
Hoje, aqui e agora, ouço "Tempo Instável" e kontinuo lendo " Les Fleurs du Mal" de Baudelaire.
Essa noite (e um brother que não lava pratos, sabe), meti o nariz na farinha! Fazia tempo,
que isso eu não Miles!
Mas sabe komo é:
Tem dias que a noite é madrinha.
Sonhei akordado kom kruzadas, viagens, tive vertigens e lembrei de Sophia. Só pra dizer-vos
Que tem noites que parecem dias.
E isso é infernal!
Por quê?
Tem noites que não há lua, uívos de kães,
ou putaria.
Apenas olhos de rãs, vivendo o dia-a-dia!
Escrito por Paulo de Tharso às 04h27
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