Salvem o Félix


 Amsterdam (Jacques Brel)

 

No Porto de Amsterdã

Há marinheiros que cantam

Os sonhos que os desencantam

Ao longo de Amsterdã

No porto de Amsterdã

Há marinheiros que dormem

Como flâmulas

Ao longo das margens melancólicas

No porto de Amsterdã

Há marinheiros que morrem

Cheios de cerveja e de dramas

Quando a última luz derrama

Mas no porto de Amsterdã

Há marinheiros que nascem

No calor espesso

Na languidez dos oceanos

 

No porto de Amsterdã

Há marinheiros que comem

Sobre toalhas muito brancas

Os peixes engordurados

Eles lhes mostram os dentes

A devorar a fortuna

A decrescer a lua

A se estufar de peias

E se sente o bacalhau

Até mesmo no coração das batatas fritas

Que as gordas mãos convidam

A virem mais e mais

Depois se levantam aos risos

Num barulho de tempestades

Fechando as braguilhas

Saem arrotando

 

No porto de Amsterdã

Há marinheiros que dançam

Roçando a pança

Contra as panças das mulheres

E eles rodam e eles dançam

Como sóis escarrados

A som dilacerado

De um acordeom ranço

Eles entortam o pescoço

Para melhor se entenderem rir

Até, que de repente

O Acordeom expira

Aí, então, o gesto é grave

Ai, então, o olhar é orgulhoso

Eles levam sua Batávia

Até o dia amanhecer

 

No porto de Amsterdã

Há marinheiros que bebem

E que bebem e bebem

E que bebem ainda mais

Eles bebem a saúde

Das putas de Amsterdã

De Hamburgo ou de outro lugar

Enfim eles bebem as damas

Que lhes dão seus lindos corpos

Que lhes dão sua virtude

Por uma peça em ouro

E quando eles beberam tudo

Apontam o nariz ao céu

Assoam nas estrelas

E eles mijam, como eu choro

Sobre as mulheres infiéis

 

No porto de Amsterdã

No porto de Amsterdã

 

N.T Batávia era o antigo nome da Holanda. Batave refere-se aos países baixos.

Então preferi deixar Batávia, para ser mais fiel ao texto

 

 Klika aqui http://br.youtube.com/watch?v=POGegLVKjdQ

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 21h44
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Ladrão de Chamas

Para Márcia Reikdal

 

 

Dê-me um cigarro...

Deixa eu te contar:

Sabe, sou um ladrão de chamas.

Por isso não posso viver escravo.

 

Dê-me outro trago dessa água que queima;

Deixa eu te contar:

Se às vezes me calo

É porque, o silêncio, minha alma escuta.

 

Eu sei que parece estranho o fato

D´eu mergulhar no espaço

E vagar no escuro

Mas o que posso fazer?

Sou noturno. Acompanho meu gato.

 

Desculpa por minha amargura.

Pelas ruínas, destroços e cacos.

Eu sei, em mim você só vê a loucura.

Mas não conhece nesse cara, sua doçura.

 

Te assustam os meus olhos congestionados

Me assustam os teus olhos desconfiados

No entanto, é no corpo deste deplorável

Que repousa tua cabeça, e  depois do gozo

Sobre ele, adormece aquecida.

Esquecida da vida lá fora.

 

Minha vida serve para os naufrágios

Enquanto você sonha, eu tenho presságios

Não me incomodam tuas ironias largas,

Tampouco, quando você se farta de risos

 

Porque...Dê-me outro trago, que eu te conto um segredo:

Esse veneno, que você me paga,

Escurece meu sangue, qu´eu te ofereço

Como se oferecesse a Deus um cordeiro. Só para agradá-lo.

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 16h33
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                              Cidadão !

 

 Vergonha, descalabro, inércia, irresponsabilidade, incompetência, negligencia, ineficiência, falta de autoridade, indignidade na gestão, falta de compostura, desumanidade.”

 

Jarbas Vasconcelos – Senador (PMDB) sobre atuação do governo na crise aérea (revista Veja, 08/08/07).

 

O atual ministro da saúde, advogou nestes dias o uso exclusivo do dinheiro, a ser surrupiado dos bolsos de todos brasileiros, através da “desgraceira”, chamada CPMF, para um único destino. A saúde.

 

__Louvável!

 

Porém, como brasileiro vivido, tungado de mil maneiras, além de chateado e adepto do movimento cansei, sugiro, sem contradizer o direito de posição do Senhor Temporão, uma opção mais ampla.

Ser repartido os recursos da CPMF para educação e saúde, entre a Federação, os Estados e Municípios.

Desta forma, esta contribuição maldita, ao menos daria  um destino salutar, honesto e digno ao imposto declarado “ao estado romano da lei”.

 

Estima-se prováveis, trinta e dois bilhões de reais anualmente para estas áreas que se encontram confinadas na U.T.I. da economia.

 

Estes bilhões, devidamente direcionados às classes menos favorecidas, sem dúvida, poderiam dar a base  para que o Brasil crescesse.

 

Portanto, estes trinta e dois bilhões forneceriam a sustentabilidade à educação e a saúde.

Pois está claro que, sem educação, cultura e saúde não há conhecimento necessário para o desenvolvimento da nação e tampouco para a cidadania, cidadão!

 

J.Martins



Escrito por Paulo de Tharso às 11h28
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Depois que a Polícia Federal entrou em meu blog... Vão se fuder!

 Bem antes do tiro.

 Tá vendo esse olhar?

 Ele estava olhando para os olhos do seu karrasko.

 "Se tu falas muitas palavras sutis

  Se gostas de senhas, sussurros ardis

  A lei tem ouvidos pra te delatar

  Nas pedras do teu próprio lar

  Se trazes no bolso a contravenção

  Muambas, baganas e nem um tostão

  A lei te vigia, bandido infeliz

  Com seus olhos de raio X ....

  Se pensas que burlas as normas penais

  Insulflas, agitas e gritas demais

  A lei logo vai te abraçar, infrator

  Com seus braços de estivador

  E se pensas que pensas, estás redondamente enganado

  E como já dizia...tem a morte ao teu lado..."

                    CHICO BUARQUE

                              Trecho de

                    A ópera do Malandro 



Escrito por Paulo de Tharso às 04h15
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  ONANISTAS DE PLANTÃO

  Com o advento da Internet

  Não há kazas de vidro.

  Atividade possível, o mastubador é um voyeur sórdido,

  que espreita os sites pornográfikos.

  Faço isso, igual meus amigos solitários,

  que entre um verso e outro, fazem o jogo do voyeur.

  Miseráveis e sós.

  Curiosamente, no silêncio e ocultação, partilhamos ao mesmo tempo

  do kampo virtual.

  Miríades de olhos perseguem as mesmas imagens.

  Depois,... a solidão flácida na palma da mão.

  Aí, com o koração de pedra,

  voltamos a estilhaçar as janelas da imaginação.



Escrito por Paulo de Tharso às 13h07
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