Salvem o Félix


 

 

 KARALHO!!!!

 

Subitamente tudo parece ser absurdo em minha vida.

Como se dia após dia, todo dia, pouco a pouco, lentamente, gradativamente,

e uma vez mais eu deixasse de enxergar as coisas.

Assim como a visão, que paulatinamente vai perdendo o seu poder de ler com clareza as palavras de um livro,

eu não enxergo mais as coisas e o sentido delas.

Por outro lado, me pergunto ultimamente, se o sentido está nas coisas ou se somos nós que damos sentido a elas?

Katzo...tenho que deixar Freud e Reich para quem sabe dessa matéria.

 

Karalho....__ repito.

 

Sinto-me enganado por tudo e por quase todos à minha volta.

Quando digo quase, é porque em algumas pessoas eu ainda coloco fé. De verdade.

Um pugilista argentino disse uma vez que a beleza está nos olhos de quem a vê.

Acho que uma escritora inglesa também o disse.

Pois é... não tenho mais olhos. Nada mais é belo e minha afeição eu perdi com a idade.

 

O demônio sopra em meus ouvidos:

 __ Se nascer um Deus é porque outros já morreram “. É assustador!”.

 

Um dia ela vem, um dia ela vai. Num dia me quer bem, n´outro não me quer mais.

Porta estranha a porta do coração. Onde ronda só a escuridão. Quando a noite diz sim,

o dia diz não!

 

O inferno, kamarada, é aqui mesmo.

A esquizofrenia ronda minha mente, e dificilmente alguém consegue conversar comigo,

sem antes se drogar ou beber no mínimo dois conhaques entornados de um gole só..., cada.

Nem o Félix me suporta  mais. Desde que mudamos para Santa Cecília,

ele tem o seu quarto e não dorme mais sobre meu peito.

O malandro tem seu quarto. Com berço feito de caixa de papelão e mantinha.

Ficou mal acostumado na casa da Márcia, onde tinha quintal, vaso com terra e plantas ornamentais,

além dos pombos desavisados, que pousavam nos ladrilhos de cacos vermelhos.

Agora o felino deita sobre o dicionário e, quando eu preciso do Aurélio,

ele ronrosna (ronronar com raiva) e cai fora.

 

Não confio mais nele, e é bom que ele não confie mais em mim.

 

O meu irmão Mário Bortolotto, dramaturgo talentoso e ardiloso,

diria para eu parar de chorar e beber mais uma, antes que o dia amanheça.

 Mas porra, não amanhece nunca! É, sou assim mesmo:

“Se uma nuvem passa, passa uma sombra também!

 As ondas que a maré conta, ninguém pode contar!”

 

Ah! Vai mano!

 

Mirisola!!! Semana que vem eu ponho o chão

e o chão tá posto pra gente jantar!!!

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 09h46
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CIDADÃO

“ Só sei que vivo se ouço espadas que ressonam”

                                                 Ezra Pound

 

 Nos últimos tempos, tudo parecia projetar a país para um profundo e escuro poço.

Mas, no último dia 27 de Agosto, mês do cachorro louco e três dias depois da data

da morte de Getúlio Vargas em 1954, __sei lá porque diabos me lembro disso agora__ ,

um grupo de legítimos representantes do poder judiciário do STF (Supremo Tribunal Federal),

sinalizou que ninguém, mas absolutamente ninguém, poderá estar acima das leis.

Então; Políticos, integrantes das casas Legislativas, Ministros, empresários,

“malandro candidato a malandro federal e malandro com gravata e capital que nunca se dá mal”,

ninguém, mas absolutamente ninguém, estará acima da lei.

 

  Sem dúvida, a cidadania recebe um alento, um sopro de esperança,

no momento em que esta Nação mais parece um deserto sem um único cacto, sem sequer uma noite de lua.

Um país sem nome. Uma terra nua.

E não falo da nudez que meu querido escritor Marcelo Mirisola tanto gosta.

A nudez das meninas sem pejo, que desfilam coloridas, nas capas das revistas e nas praias cercadas pelas armas.

Essa nudez nos faz sonhar. E sonhar é o que se pode nessa terra de ninguém.

 

Minhas palavras lembram as de Glauber Rocha? Talvez .Talvez, em algum lugar

de minha alma-cérebro, imagens de seus filmes e trechos de seus livros tenham se instalado para sempre.

 

Tem razão o gato Félix, quando através de seus olhos espertos, parece nos dizer:

 

__ É necessário exterminar todos os ratos!

 

 Jota Martins

 Desde 1931

 PS: E como Getúlio dizia: A lei? Ora a lei.... 



Escrito por Paulo de Tharso às 19h03
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